A conciliação entre maternidade e carreira ainda impõe barreiras silenciosas no ambiente corporativo.
A excelente matéria de Luciana Ribeiro Dyniewicz para o Estadão traz à tona um tema que precisa ser encarado com seriedade e responsabilidade pelas lideranças: a equidade de gênero no pós maternidade.
O relato da executiva Carolina Ragazzi evidencia o quanto a percepção de valor profissional da mulher ainda é afetada após a maternidade. Estar entre os 10% mais bem remunerados da sua função e, mesmo assim, vivenciar afastamento de projetos estratégicos após a licença, é um claro reflexo de preconceitos enraizados.
Como liderança, acredito que promover ambientes verdadeiramente inclusivos passa por reconhecer que a maternidade não diminui a capacidade de entrega, e sim amplia competências essenciais como gestão de prioridades, resiliência e visão sistêmica — habilidades críticas para o sucesso corporativo.
Além disso, é fundamental ampliar o debate sobre corresponsabilidade parental, incentivando políticas de licença-paternidade mais robustas, como apontado por Margareth Goldenberg.
A equidade de gênero no ambiente de trabalho não será plenamente alcançada enquanto a criação dos filhos for vista como responsabilidade exclusiva da mulher.
Reflexões como essa reforçam que não basta apenas abrir espaço: é preciso sustentar o crescimento das mulheres em todas as fases da vida.
Que a coragem de expor essas realidades continue impulsionando mudanças estruturais.
Seguimos firmes na construção de um mercado mais justo, estratégico e verdadeiramente inclusivo.
Autora: Lais Bornelli Leite