Com mais de 18 anos de experiência em Supply Chain e liderança de grandes operações, aprendi que ouvir vai muito além da escuta superficial. Trata-se de capturar nuances, intenções e oportunidades de desenvolvimento que, muitas vezes, estão nas entrelinhas. Essa prática, conhecida como escuta ativa, é uma competência essencial para lideranças modernas, conectadas e transformadoras.
Por que a escuta ativa importa na liderança
Estudos das plataformas LinkedIn e WorkBravely indicam que treinamentos voltados para escuta ativa geram 30% de aumento na satisfação das equipes, além de 25% de crescimento na colaboração e produtividade.
A escuta ativa também está diretamente relacionada à construção de ambientes de segurança psicológica. Segundo o Zenger Folkman Group, líderes percebidos como bons ouvintes são considerados até 6 vezes mais confiáveis, influenciando positivamente a cultura e os resultados organizacionais.
Como a escuta ativa muda o jogo na prática
1. Foco total: eliminar distrações, manter contato visual e demonstrar presença plena;
2. Reflexão e validação: traduzir com suas palavras e confirmar entendimento;
3. Perguntas abertas: provocar reflexão profunda e abertura emocional;
4. Ação pós-escuta: transformar escuta em movimento concreto.
Na minha atuação como mentora, percebi que escutar com intenção é um divisor de águas. Mais do que orientar, é criar espaço para que o outro reflita, acesse sua própria potência e construa caminhos. Mentorias verdadeiramente transformadoras nascem da escuta, e não do conselho.
Uma obra que reforça esse pensamento é o livro “Empatia Assertiva”, de Kim Scott. A autora, também ex-líder no Google e na Apple, defende que a liderança efetiva nasce do equilíbrio entre cuidar pessoalmente e confrontar diretamente. Em outras palavras, liderar é demonstrar empatia ao mesmo tempo em que se mantém a assertividade nas entregas. Esse modelo estimula uma cultura de feedbacks transparentes, relacionamentos respeitosos e escuta ativa intencional.
Liderança não se resume a direcionar ou tomar decisões. É sobre influenciar com presença, criar conexões de valor e cultivar ambientes onde as pessoas se sintam ouvidas e seguras para evoluir.
A escuta ativa é um diferencial competitivo. Líderes que sabem ouvir constroem culturas mais sólidas, retêm talentos e inspiram movimentos de longo prazo.
Se queremos organizações mais humanas, é urgente promover uma liderança que escute com empatia e aja com intencionalidade.
(Artigo escrito por Lais Bornelli Leite, com base na experiência em gestão de operações, liderança de times e transformação cultural em ambientes corporativos.)