mmmm
✕

Os Superpoderes da Alta Performance

Publicado por Instituto MEO em 16 de julho de 2025

Na palestra que apresentei na semana passada no evento Futuro Summit promovido
pela Futuro Corp, falei sobre quais são os principais ingredientes que levam as pessoas
a performarem o seu melhor. Eu chamo esses ingredientes de superpoderes porque,
apesar de todos poderem utilizá-los, nem todos sabem de sua existência ou como
acessá-los.

Quando falamos em alta performance, devemos ter em mente o que os estudos
acadêmicos em liderança, psicologia organizacional e gestão nos indicam – a alta
performance é o resultado de um conjunto de fatores.

Esses fatores podem ser resumidamente agrupados nos seguintes elementos:

1. Clareza de propósito e objetivo

2. Competências técnicas e comportamentais

3. Engajamento e motivação intrínseca

4. Autonomia com responsabilidade

5. Cultura de aprendizado

6. Alta energia

Mas como chegamos a esse ponto de conseguir reunir esses elementos
consistentemente em nossas vidas e sermos considerados pessoas de alta
performance? Nesse caso não importa se somos líderes, membros de uma organização
corporativa, profissionais de vendas, atletas, ou se simplesmente precisamos deles para
nossos objetivos pessoais, onde precisamos dar o nosso melhor para chegar lá.

E falando em líderes especificamente, aqueles de alta performance sabem enxergar no
outro o potencial para utilização dos mesmos superpoderes. Ou conseguem ajudar os
seus liderados a trilharem esse caminho de “super-herói” da alta performance. Esses
líderes sabem lidar muito bem com a pressão, sabem construir pontes, encantar os
clientes e engajar seu time.

Nosso aprendizado sobre os superpoderes tem sua base em estudos de neurociência e
o conceito do cérebro triuno e também nos estudos da inteligência emocional.

E afinal de contas, quais são esses superpoderes?

O neurocientista Dr. Matthew Lieberman e Dr. David Rock do Leadership Institute nos
ensinam sobre a consciência da natureza social do cérebro humano como sendo um
fator de alavancagem para acessar esses superpoderes. Tudo o que fazemos em nossas
vidas tem relação com pessoas e as interações humanas.

Nós vendemos para as pessoas.

Nós lideramos pessoas.

Nós fazemos projetos com pessoas.

Nós interagimos o tempo todo com pessoas.

O nosso cérebro é SOCIAL.

O primeiro superpoder sobre o qual precisamos nos conscientizar, foi chamado de dor
social pelo Dr. Matthew Lieberman. Por que essa dor é um superpoder?

Tendo a consciência de que nosso cérebro é social e que rejeição, abandono e não
pertencimento causam um dor real naquele que a sente, podemos usar isso a nosso
favor nas nossas relações humanas, tendo o cuidado, por exemplo, de não causar essa
dor no outro, fazendo dessas interações algo positivo e inclusivo.

Esse conhecimento nos dá um poder para sermos inclusivos, cooperativos e
colaborativos que são elementos fundamentais para trabalhos em equipe, para liderança,
usar influência e comunicação.

O segundo superpoder é a leitura das mentes. Como assim? Passarei a ser uma
espécie de mágico se utilizá-lo?

Quase isso. Nas interações sociais, as pessoas demonstram apenas parcialmente seus
pensamentos e sentimentos. Os demais ficam ocultos, camuflados sob uma camada de
proteção e preservação por diferentes questões. Esses sentimentos e pensamentos
podem ser relacionados a emoções, vontades, desejos, medos, crenças limitantes entre
outros que não necessariamente são explícitos ou percebidos pelo interlocutor.

Saber identificar no outro o que está nas entrelinhas, na expressão corporal, ou numa
agenda oculta é um grande poder que traz habilidade de desenvolver laços de confiança,
cooperação, colaboração, persuasão positiva, influência e conexões mais profundas. Ter
essa consciência e utilizar esse poder habilita a pessoa a ser bem-sucedida, por
exemplo, nas várias etapas de um processo de vendas, a entender melhor expectativas
de uma equipe a qual se está liderando ou simplesmente observar quando o rumo da
conversa precisa ser alterado.

O terceiro superpoder é o que chamo de aprendizado social. Existem vários
experimentos da neurociência que mostram que o que aprendemos para ensinar ao outro
é aprendido com mais profundidade. Tendo em vista a necessidade de aprendizado
contínuo, de estar aberto ao novo e da velocidade com que nos deparamos atualmente
com mudanças em todos os âmbitos, aprender algo novo constantemente é crucial e
precisamos de profundidade para ter autoridade naquilo que aprendemos.

Lembramos que ao nos abrirmos para esse aprendizado tendo em mente nossa natureza
e força social, nós conseguimos potencializar o que aprendemos. Compartilhar o que
aprendemos não divide, nem diminui o que temos, ao contrário, nos fortalece e adiciona
conhecimento ao interagirmos em torno de tópicos que compartilhamos.

O quarto superpoder é a regulação emocional. A cientista de Yale Dra. Zorana Ivcevic
Pringle estuda o tema regulação emocional e descobriu que algumas das pessoas mais
bem-sucedidas e criativas são habilidosas em regular suas emoções. Ela indica que essa
é a superpotência delas.

Nossas relações humanas precisam levar em consideração o mecanismo neurológico
que governa o comportamento humano de respostas às ameaças e recompensas.
Quanto mais nos sentimos ameaçados, mais elevamos a sensação de stress ou nos
tornamos desengajados.

De uma forma bem simplificada, podemos dizer que a regulação emocional nos ajuda a
dominar a sistema reptiliano (ou instintivo) do nosso cérebro e dá oportunidade para o
nosso sistema neocortex (ou racional) atuar. Essa habilidade nos ajuda a de-escalar
situações de stress ou conflito, ou permite um melhor engajamento em situações em que
é necessário o mesmo.

Eu não poderia deixar de citar o Flow como o quinto superpoder. Numa cultura de Alta
Performance o estado de Flow é um ponto de convergência.

O conceito de Flow foi cunhado pela psicologia (psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi), mas
é algo que todos nós já vivenciamos em picos de performance. Flow em sua essência é
sobre estar imerso na tarefa que você tem, sem distração, sem dúvidas ou hesitação. No
Flow, sua conscientização, conhecimento e habilidades são calibradas para o momento
presente e você consegue executar aquela tarefa com clareza, confiança e criatividade.

Diante das constantes volatilidades, complexidades, incertezas e ambiguidades que
temos vivenciado, aliados a um excesso de distrações, a busca contínua de alta
performance, através do Flow não é apenas um luxo, mas uma necessidade.

Concluindo, o mais importante é não esquecer que a base para nossos superpoderes
está no nosso CÉREBRO SOCIAL.

Habilidades sociais funcionam como um multiplicador de nossas habilidades analíticas e
fazem-nos mais inteligentes e estratégicos, mais felizes e mais produtivos.

Autora: Cintia Scafutto

Compartilhe
Instituto MEO
Instituto MEO
adsf