Muitas pessoas têm dificuldade em equilibrar sua vida profissional e pessoal, diante de tantas demandas em todas as áreas, da velocidade das mudanças, da complexidade do mundo atual e por aí vai.
Essa constatação pode ainda ser mais verdadeira para muitas mulheres que acabam sendo sobrecarregadas por dupla ou tripla jornadas, dificuldade em compartilhar com cônjuges as tarefas de casa e a demanda dos filhos, a responsabilidade que lhes recai muitas vezes nas relações desfeitas, ou a própria questão da geração sanduíche quando elas se veem também com o cuidado dos pais.
Nesse artigo, vou focar um pouco mais nas mulheres executivas e como elas têm sofrido burnout, muitas vezes sem a consciência do que está acontecendo, continuam forçando uma situação difícil, sem prestar atenção ao que o próprio corpo está lhes mostrando. As doenças começam a aparecer, elas perdem a produtividade e não conseguem dar seu melhor na vida profissional e muito menos na vida pessoal.
Susan Baroncini-Moe, fundadora da Baroncini-Moe Executive Coaching, escreveu o artigo “Understanding and Addressing Burnout in Executive Women” – numa tradução livre Burnout em Mulheres Executivas – Compreensão e Soluções.
Nesse artigo ela explica o que é o burnout, as principais causas e estratégias para prevenir e lidar com o mesmo.
O burnout é um estado de exaustão física e emocional crônica, frequentemente acompanhado de cinismo e distanciamento do trabalho. É um problema crescente em ambientes de alta pressão e, entre mulheres executivas, ocorre em níveis duas vezes maiores que entre os homens, devido a desafios únicos que elas enfrentam.
Susan indica que as principais causas do burnout em mulheres executivas são:
Desequilíbrio entre vida profissional e pessoal Mulheres continuam a assumir a maior parte das tarefas domésticas e emocionais, além de suas responsabilidades profissionais, o que aumenta o estresse e a busca por perfeição.
Viés de gênero e desigualdade Atitudes assertivas muitas vezes são julgadas de forma negativa quando vêm de mulheres, gerando frustração e impacto na satisfação profissional.
Sobrecarga de trabalho Longas jornadas, pressão contínua e acúmulo de responsabilidades, inclusive com familiares, elevam os níveis de estresse.
Falta de controle Pouca autonomia e limitação na tomada de decisões podem levar à desmotivação e sensação de impotência.
Falta de apoio Ausência de recursos, mentoria e redes de apoio contribui para o isolamento e o esgotamento.
Ao mesmo tempo que ela expõe essas causas, Susan sugere estratégias para prevenir e lidar com o burnout:
Priorizar o autocuidado Incentivar práticas de bem-estar como sono de qualidade, alimentação saudável, exercícios e lazer, que muitas vezes são deixadas de lado.
Estabelecer limites Promover uma separação clara entre vida profissional e pessoal, desestimulando a cultura da hiperconectividade.
Criar uma cultura de apoio Construir ambientes inclusivos, com comunicação aberta, oportunidades de desenvolvimento e redes de apoio reais para todas as colaboradoras.
Oferecer recursos personalizados Implementar programas de coaching e mentoria, grupos de apoio e treinamentos adaptados às necessidades das executivas.
Gerenciar cargas de trabalho Estimular a gestão de tempo eficaz, delegação inteligente e revisão da cultura de reuniões, promovendo equilíbrio e foco estratégico.
Ela conclui que o burnout entre mulheres executivas é sério, mas pode ser prevenido. Com ações intencionais e apoio organizacional, é possível promover o bem-estar e impulsionar o sucesso sustentável dessas líderes.
Conhecendo melhor o assunto, podemos identificar situações e comportamentos existentes no ambiente que trabalhamos que podem ir gradualmente se acumulando até nos vermos numa situação de burnout. É importante prevenir para que isso não aconteça e se acontecer saber lidar com o mesmo e rapidamente superá-lo.
Como uma das principais razões é a falta de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, vale ressaltar algumas dicas para ajudar nessa área.
Procure se autodisciplinar, tanto no seu cuidado pessoal, quanto nas atividades de trabalho.
Coloque-se em primeiro lugar. Não é egoísmo, é ter amor e cuidado. Aqui vale a regra do avião (coloque primeiro a máscara em você em caso de despressurização).
Trabalhe apenas durante as horas designadas. Dê o melhor de si nessas horas, sendo produtiva e focada. Saiba priorizar e deixar para o dia seguinte aquilo que pode ser feito depois.
Conheça-se e saiba seus horários quando é mais produtiva. Procure organizar seu trabalho nessas horas o máximo possível.
Comprometa-se com as tarefas e tenha foco quando estiver executando-as.
Seja gentil consigo mesma, com seu corpo e com seu cérebro. Não adianta insistir se não estiver conseguindo produzir.
Crie um tempo pessoal só para você rotineiramente e seja fiel a ele.
Sua prioridade precisa ser sempre você e sua família.
Respeite-se. Saiba ler os sinais do seu corpo e de suas emoções.
Agende com prioridade horários para seu cuidado pessoal. Cada cuidado é muito importante e ajuda não só a autoestima, mas é sempre uma pausa bem-vinda.
Faça uma lista diariamente das coisas que precisa fazer. Isso ajuda a priorizar e delegar.
Ao adotar essas estratégias, você garante que sua vida pessoal receba a atenção que merece e que suas tarefas profissionais sejam gerenciadas de forma eficiente.