A Experiência Corporativa e os Desafios Reais
Nos últimos anos, como gerente em uma grande multinacional de Supply Chain, tive o privilégio
de participar de um comitê de Diversidade, Equidade e Inclusão. Muitos grupos de afinidade
foram formados, mas o de empoderamento feminino se destacava pelo engajamento de
líderes, homens e mulheres.
A empresa patrocinou ativamente talentos femininos para cargos de liderança em Operações.
Isso resultou em grandes avanços, como a promoção de uma diretora à presidência da
América Latina.
No entanto, também enfrentamos insucessos na introdução de lideranças femininas em Supply
Chain. A dinâmica da área muitas vezes releva atitudes e comentários inadequados e até
ofensivos. Ao conversar com essas líderes, percebi que a cultura da empresa, sua
infraestrutura e o mindset da liderança eram incompatíveis com um ambiente inclusivo.
A Virada de Chave: O Papel do Homem no Lar
Esses relatos me fizeram refletir sobre algo que nunca havia considerado. Minha esposa
também trabalha em um ambiente corporativo predominantemente masculino, e em breve,
minha filha se inserirá nesse mesmo ambiente. Eu não podia ser um gestor que não faria nada
para mudar essa realidade.
Para me aprofundar no tema, afiliei-me voluntariamente ao Instituto MEO para me tornar um
aliado da causa. Posteriormente, comecei a mentorar mulheres na minha área, atuando como
uma espécie de coach e sparring. A troca de perspectivas era extremamente rica, mostrando a
beleza da diversidade.
Nesse processo, obtive uma percepção que me fez sentir dores que nunca imaginei em um
ambiente de trabalho, simplesmente por ser homem. Comecei a me perguntar: O que eu
poderia fazer de melhor para criar um ambiente de trabalho mais saudável, diverso e inclusivo?
A resposta que encontrei para mim mesmo foi: “Seja um marido melhor!”
O Impacto da Ação Doméstica nas Corporações
Inicialmente, pode parecer que uma ação isolada em casa teria pouco efeito. No entanto,
comecei a perceber a quantidade de atividades adicionais que minha esposa precisava lidar
em casa, além dos desafios de sua carreira. Ao aprender e assumir parte dessas tarefas –
como preparar refeições, colocar roupa na máquina e estender a roupa, minha esposa ganhou
mais tempo e energia para se dedicar a seus projetos e estudos.
Essa mudança gerou uma atmosfera positiva em nossa casa.
Rotinas domésticas se tornaram um hábito saudável para mim, não uma vergonha. Pelo
contrário, me senti parte de uma dupla verdadeiramente unida, onde ambos trabalham e ambos
ajudam de igual modo.
Hoje, vejo o crescimento profissional que minha esposa tem conquistado por sua inteligência e
dedicação. Tenho orgulho em poder dar a ela o mínimo de apoio nas atividades do lar. Na
minha opinião, todo líder, gestor, ou homem que se julga um aliado, deveria ter esse hábito
saudável em seu lar, como uma atitude de um homem de verdade.
AUTOR : BENEDITO PITTTERRI