Recentemente fui convidada para palestrar para um grupo de líderes onde compartilhei o
conceito do modelo de Liderança de Base Segura – “Care to Dare”.
Esse conceito foi desenvolvido por professores da IMD Business School, e descreve um
estilo de liderança que combina segurança emocional e desafio construtivo. O líder atua
como uma “base segura” — alguém que:
Assim, “Liderança de Base Segura” não significa ser “protetor demais”, mas sim criar um
ambiente onde as pessoas se sentem seguras para ousar e alcançar o extraordinário.
Com a presença de líderes experientes e alguns que já aplicavam o conceito, percebi que
a minha abordagem para esse público deveria ser diferente. Muitos líderes hoje se veem
inundados com diferentes conceitos e metodologias e esquecem (ou não têm tempo) de
olhar para dentro de si mesmos.
A pressão do dia a dia, as complexidades das relações humanas e as exigências inerentes
às posições de altos cargos trazem um stress adicional, um peso que muitas vezes deixa
esses líderes num estado de cansaço constante que pode comprometer sua saúde e sua
performance.
Então, voltando ao assunto da palestra, quem é o(a) líder de base segura do(a) próprio(a)
líder? Quem o(a) desafia e quem cuida dele(a) mesmo(a)? Muitos líderes B ou C level não
têm exatamente um(a) líder que o(a) oriente, dirija, suporte ou desafie.
Pensando na analogia da máscara de oxigênio nos aviões, em caso de despressurização, a
orientação é que se coloque a máscara primeiro em você e depois você pode assistir à
criança ou à pessoa que precise de ajuda. No nosso mundo corporativo, nós precisamos
primeiramente nos assistir e nos proteger. Precisamos olhar para dentro de nós e
atuarmos em nós mesmos, de acordo com o que cada situação exige.
O equilíbrio entre cuidado e desafio é essencial para o desenvolvimento de times de alta
performance — equipes que inovam, constroem relações fortes e mantêm alto
engajamento. Assim, fortalecemos a confiança e criamos ambientes que reduzem o medo
e estimulam o desempenho ao:
Mais do que definir direção, o papel da liderança é criar as condições para que as pessoas
se sintam seguras para avançar.
Como podemos aplicar esse conceito se nós não conseguimos cuidar de nós mesmos ou
não ousamos nos desafiar em nossas vidas? Minha abordagem é a de um(a) líder que se
cuida e se desafia.
A liderança de Base Segura pode ser cultivada através do desenvolvimento de nove
características que compõem o perfil desse(a) líder.
1) Fique calmo(a):
Em tempos de estresse e incerteza, as pessoas precisam ser tranquilizadas de que
o(a) líder é capaz de lidar com a situação, seja ela qual for. Ao manter-se calmo(a),
o(a) líder transmite confiança à equipe e a si mesmo(a) e reduz a sensação de
pânico. Procure desenvolver atividades que possam lhe trazer essa calma interior
nos momentos de crise, como respirações controladas ou meditações.
2) Aceite o individual:
Mantenha um estado de consideração positiva incondicional: lembre-se de que
todos estamos conectados, busque o que há de bom em você e nas pessoas, na
vida e abrace as diferenças. Separe você e o outro do problema e busque não fazer
julgamentos seja em relação a você mesmo(a) ou aos outros.
3) Veja o potencial de cada um:
Toda pessoa tem potencial para se desenvolver ou melhorar, mesmo que apenas
um pouco. Procure sempre desenvolver seu potencial e procure o potencial no
outro, suportando seu crescimento e desenvolvimento.
4) Use escuta ativa e questionamento:
A escuta ativa promove uma sensação de aceitação. O questionamento promove
uma sensação de desafio. Pratique seu líder coach consigo mesmo(a) e com a sua
própria equipe. Procure momentos de silêncio para se ouvir e se questionar. Quanto
a sua equipe, busque ouvi-los com atenção e faça perguntas abertas para estimulálos.
5) Transmita uma mensagem poderosa:
A força de uma mensagem não está apenas nas palavras, mas na coerência entre
discurso, intenção e ação. Desenvolva sua capacidade de uma comunicação
poderosa e eficaz. Frase curtas, sucintas e perguntas que induzam ao diálogo. Seja
o exemplo de sua mensagem para si mesmo(a) e para os outros.
6) Foque no positivo:
Focar no positivo não é ignorar os problemas — é escolher começar pelas forças, e
não pelas falhas. Pratique no dia a dia mudando o foco do positivo para o negativo
em você. Procure ver benefícios e oportunidades em situações difíceis e
desafiadoras.
7) Incentive a tomada de riscos:
Expanda-se — e ajude os outros a se expandirem — para fora da zona de conforto,
por meio de pequenos passos. Tomar riscos é criar oportunidades para que você
cresça e incentivar a tomada de riscos numa equipe traz a oportunidade que
muitos esperam para se destacarem.
8) Inspire por meio de motivação intrínseca:
A motivação intrínseca diz respeito a ser movido por si mesmo(a) — sentir
satisfação pelo aprendizado, contribuir para algo maior, e encontrar propósito no
que faz — e inspirar os outros a fazerem o mesmo, promovendo um senso de
realização e significado coletivo.
9) Demonstre acessibilidade:
A acessibilidade está relacionada à percepção de disponibilidade, à sensação de
ser ouvido e à confiança de que uma resposta virá em um prazo razoável. Colocarse disponível cria laços e melhora nossas conexões com os outros.
Cuidar e desafiar — duas forças que, quando equilibradas, constroem líderes e equipes
capazes de prosperar juntos.
E você, como equilibra o cuidado e o desafio na sua jornada de liderança?
Convido cada um(a) de vocês a se desenvolverem nessas nove características para
primeiramente se tornarem seres humanos mais integrados e mais leves. O bônus é se
tornarem melhores líderes, que joguem sempre para ganhar.

Autora: Cintia Scafutto