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ESG (ENVIRONMENTAL, SOCIAL, AND GOVERNANCE)

Publicado por Instituto MEO em 24 de abril de 2025

O conceito de ESG (Environmental, Social, and Governance), aliado aos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU e ao Acordo de Paris, vem sendo incorporado às culturas organizacionais e utilizado como critério de valoração empresarial, assim sendo diferentes metodologias têm sido desenvolvidas nos últimos anos com o objetivo de sugerir métricas e indicadores de avaliação da performance de organizações públicas e privadas.

Metodologia SuM4All para Mobilidade Sustentável

Em nosso primeiro artigo da série sobre ESG e Mobilidade Sustentável, apresentamos a metodologia de avaliação proposta pela Sustainable Mobility for All (SuM4All) para a Mobilidade Sustentável, composta de quatro pilares:
• Acesso Universal: Conectar todas as pessoas, incluindo mulheres e comunidades vulneráveis, às oportunidades econômicas e sociais.
• Eficiência: Otimizar previsibilidade, confiabilidade e custo-benefício nos sistemas de transporte.
• Segurança: Reduzir drasticamente mortes, lesões e acidentes.
• Mobilidade Verde: Diminuir a pegada ambiental da mobilidade, incluindo emissões de gases de efeito estufa (GEE), poluição do ar e ruído.
Vimos que essa metodologia baseada em quatro pilares principais: acesso universal, eficiência, segurança e mobilidade verde; que está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs) e é instrumentalizada pela plataforma SuM4All utilizando uma abordagem que visa integrar o ESG de forma gradativa e contribuir para as metas da Agenda 2030 da ONU.

Também no primeiro artigo, tratamos do Sustainable Mobility Index, um índice que avalia a mobilidade sustentável em 183 países a partir de sete métricas principais, como acesso rural e urbano, gênero, segurança, eficiência, poluição do ar e emissões de gases de efeito estufa. Com base nessa metodologia, e com dados atualizados pela plataforma Global Tracking Framework, o Brasil ocupava a 52a posição global em 2022.

Diversidade e Acesso Universal no Setor de Transportes

No segundo artigo da série, exploramos o pilar do Acesso Universal, destacando a baixa participação feminina no setor de transportes no Brasil, que era de apenas 11% em 2018, abaixo da média de 14% de países comparáveis economicamente.
A pesquisa sobre diversidade no setor automotivo brasileiro, realizada pela Automotive Business desde 2017, reflete uma estagnação. A participação feminina no quadro de co- laboradores das empresas pesquisadas do setor automotivo que era de 21% em 2017, e 20% em 2019, caiu para 19% em 2021 e apenas retomou o nível de 2017 em 2023 com 21%. A representatividade feminina em cargos de liderança ainda é baixa, segundo a pesquisa de 2023, com 23% em gerências e diretorias, e 7% em presidências e vice-presi- dências e 30% em Conselhos.

Segurança, Eficiência e Mobilidade Verde

Para enfrentar esses desafios, é necessário implementar ações concretas, como estratégias de diversidade e inclusão, equiparação salarial, programas de mentoria e processos seletivos afirmativos. Promover uma cultura organizacional que valorize a diversidade é essencial para o progresso do setor e o fortalecimento do ESG como prática corporativa. No contexto dos pilares Segurança, Eficiência e Mobilidade Verde, as políticas públicas no setor automotivo brasileiro evoluíram significativamente com programas como o Inovar-Auto (2013-2017), Rota 2030 (2018-2028) e
MOVER (2023-2033). O Inovar-Auto focou na produção nacional, segurança veicular e eficiência energética. O Rota 2030 ampliou esse escopo, incluindo metas de descarbonização, incentivos à inovação tecnológica e alinhamento com padrões globais. O MOVER introduziu a renovação da frota nacional, promovendo veículos mais limpos, reciclagem obrigatória a partir de 2027 e fortalecimento da economia circular.
No pilar da Segurança Veicular, avanços foram alcançados no Brasil, como a implementação da Lei Seca e a obrigatoriedade de airbags e freios ABS, que ajudaram a reduzir fatalidades no trânsito entre 2013 e 2019. Institutos de pesquisa e a iniciativa privada também contribuíram, desenvolvendo materiais mais seguros, como aços de alta resistência, e tecnologias inovadoras para veículos. Além disso organizações independentes LATIN NCAP (www.latinncap. com.br) tornaram públicos e acessíveis aos consumidores alguns rankings de performance de segurança, passando a ter influência no processo decisão de compra.
Neste terceiro artigo da série, destacamos o pilar da Mobilidade Verde, onde o Brasil já possui uma vantagem estratégica relacionada a transição energética e a utilização de fontes de energia de origem renovável, que tende a evoluir ainda mais com os impactos da nova legislação do MOVER. Instituído em 2023, o programa busca renovar a frota automotiva nacional, retirando de circulação veículos antigos, menos eficientes e mais poluentes. Essa ação visa reduzir emissões de GEE, melhorar a qualidade do ar em áreas urbanas e promover a adoção de tecnologias mais limpas, como veículos elétricos e híbridos. Alinhado ao Acordo de Paris, o Brasil espera reduzir suas emissões de carbono em 50% até 2030.
A reciclagem obrigatória de veículos novos a partir de 2027 reforça a transição para a economia circular, exigindo o uso de materiais recicláveis e a adoção de práticas sustentáveis ao longo do ciclo de vida dos automóveis. Esse modelo pode gerar novos insumos para a indústria, reduzir custos e diminuir a dependência de recursos naturais finitos. Também tem potencial para gerar empregos em setores especializados, como reciclagem de componentes automotivos e recondicionamento de baterias de veículos elétricos.
Espera-se que a exigência de reciclabilidade também impulsione inovações no design automotivo, motivando fabricantes a desenvolver soluções criativas, como materiais avançados e técnicas de produção otimizadas. Para garantir o sucesso dessa transição, será essencial implementar governança eficaz e mecanismos de fiscalização, além de oferecer incentivos fiscais e subsídios para fomentar a adesão da indústria e a criação de infraestrutura de reciclagem.

Inovações no Contexto da Mobilidade Verde

Além disso, o desenvolvimento de novos materiais avançados, como por exemplo o Grafeno, pode transformar significativamente o setor automotivo no contexto da mobilidade verde. O Grafeno, com suas propriedades de alta resistência, leveza e excelente condutividade, apresenta aplicações promissoras em baterias de veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e componentes estruturais mais leves e duráveis. A incorporação dessas tecnologias não apenas tende a melhorar a eficiência dos veículos, mas também contribui para a redução da pegada ambiental, alinhando-se às demandas globais por inovação sustentável.

Oportunidades no Cenário Internacional

No contexto do novo acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (firmado de m Dezembro de 2024), o Brasil tem a oportunidade de se destacar como um parceiro estratégico na transição para uma economia de baixo carbono. A União Europeia já possui regulamentações para o setor como a Diretiva de Veículos em Fim de Vida (ELV Directive 2000/53/EU de 18 de setembro de 2000) revisada e publicada em 2023, estabelece metas para reciclagem, restrições a materiais perigosos, esquemas de responsabilidade estendida do fabricante, e criação de centros de coleta e tratamento autorizados. No Brasil, a implementação de políticas voltadas para a mobilidade verde pode não apenas atrair investimentos, mas também abrir novos mercados para tecnologias e veículos sustentáveis desenvolvidos no país. Esse alinhamento reforça o compromisso do Brasil com a sustentabilidade global e consolida sua liderança em iniciativas que integrem inovação, desenvolvimento econômico e proteção ambiental.
A legislação do MOVER e os avanços em pilares como os sugeridos pela SuM4All para a Mobilidade Sustentável são passos importantes para posicionar o Brasil como referência global em mobilidade sustentável e economia verde. Esses esforços ganham destaque quando considerados em conjunto com as políticas nacionais de transição energética, que fazem do Brasil um líder na adoção de biocombustíveis e na geração de energia renovável. De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), mais de 83% da matriz elétrica brasileira é composta por fontes renováveis, contrastando com a média mundial de apenas 29% em 2021.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, a transição para a mobilidade sustentável está associada a uma redução de até 30% nas emissões urbanas de GEE em cidades que integram soluções tecnológicas inteligentes como como veículos autônomos e elétricos conectados a redes inteligentes.
Por fim, a forte ênfase no alinhamento às normativas internacionais, como o Acordo de Paris e os compromissos da COP26, confere ao Brasil maior credibilidade e atratividade no cenário global. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que países que lideram a agenda de mobilidade sustentável têm maior acesso a financiamentos verdes e a parcerias estratégicas, fatores essenciais para a consolidação do Brasil como referência global neste setor.

Autora: Maria do Carmo Rodriguez

Executiva de Marketing com atuação em B2B e B2C, ex- pertise em Estratégia, Inteligência de Mercado e Comuni- cação, e vivências em empresas nacionais e multinacionais como Colgate, AmBev, ArcelorMittal e Brametal nos seg- mentos de Geração e Transmissão de Energia, Siderurgia (Automotivo, Energias Renováveis, Packaging) e Bebidas. Mestre em Marketing pela Universidade Mackenzie com MBA em Gestão de Negócios Automotivos pela FGV e extensão em ESG e Stakeholders pela FIA

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