O Supply Chain é um dos pilares mais estratégicos das organizações modernas. Ele garante que produtos, informações e recursos circulem com eficiência. Mas ainda hoje, em pleno 2025, é um setor que reflete desigualdades de gênero profundas. Felizmente, isso está mudando. E mudando pelas mãos de mulheres que estão assumindo protagonismo em toda a cadeia.
O panorama atual: avanços com desafios persistentes.
Segundo o estudo “Women in Supply Chain” (Gartner & AWESOME, 2024), as mulheres representam cerca de 40% da força de trabalho em Supply Chain, mas apenas 25% estão em cargos executivos. Houve avanço nos níveis iniciais e intermediários, mas a alta liderança ainda é majoritariamente masculina.
Essa desigualdade não é apenas uma questão social; é estratégica. Empresas com lideranças diversas têm 25% mais chances de superar médias de lucratividade, segundo a McKinsey (2023).
Desafios enfrentados pelas mulheres na cadeia de suprimentos.
Apesar do talento e da competência, as barreiras são reais: – Viés de gênero estrutural, com dúvidas sobre a competência feminina em ambientes industriais/logísticos; – Carga dupla de trabalho, que dificulta jornadas mais longas e viagens constantes; – Falta de modelos femininos em posições-chave, o que impacta a ambição e referências de crescimento; – Políticas corporativas pouco flexíveis, que não consideram a pluralidade de trajetórias femininas.
Liderança feminina é diferencial competitivo.
Mulheres tendem a desenvolver com mais naturalidade aspectos como escuta ativa, empatia, visão colaborativa e capacidade de mediação. Características essas cada vez mais exigidas na liderança do futuro.
No livro “Empatia Assertiva”, Kim Scott mostra que liderança de impacto é aquela que concilia cuidado com coragem. Essa abordagem tem ganhado espaço no Supply Chain, especialmente em contextos que exigem agilidade, resiliência e liderança humanizada.
Casos que inspiram:
• Revathi Advaithi (CEO da Flex): uma das mulheres mais influentes da indústria, comanda mais de 200 mil funcionários com foco em sustentabilidade e inovação.
• Leena Nair (ex-CPO da Unilever, atual CEO da Chanel): liderou transformações em cultura e cadeia de suprimentos com foco em equidade e diversidade.
• Mulheres brasileiras: profissionais como Carla Bueno (VP Supply Chain Ambev) e Ana Paula Assis (Presidente IBM América Latina) têm mostrado que é possível romper barreiras e construir legados.
O que podemos (e devemos) fazer.
1. Criar programas de mentoring para mulheres nas operações;
2. Estabelecer metas claras de diversidade na liderança;
3. Investir em formação técnica e comportamental para acelerar trajetórias;
4. Adotar liderança empática como prática de gestão, e não como exceção.
As mulheres estão movendo o Supply Chain. Seja nos bastidores da logística, nas salas de decisão ou na ponta da estratégia, elas estão redesenhando o que significa liderar com eficiência e humanidade.
Dar visibilidade a essas trajetórias é mais do que reconhecer talentos. É acelerar uma transformação que beneficia todo o ecossistema.
Lais Bornelli Leite é especialista em Supply Chain, mentora de liderança e fundadora da LHB, consultoria focada em desenvolvimento e performance de lideranças femininas.
Autora: Lais Bornelli Leite