Inovação como pilar estratégico da governança
Nos últimos anos, inovação deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar
condição essencial de sobrevivência e crescimento das organizações. Estudos mostram
que a permanência das empresas no topo dos rankings de valor de mercado está cada vez
mais curta — em média, as organizações do S&P 500 permanecem menos da metade do
tempo de algumas décadas atrás. Isso reflete a velocidade das disrupções tecnológicas e a
necessidade de conselhos e executivos preparados para liderar em ambientes de constante
transformação.
Nesse contexto, os dirigentes através de seus conselhos de administração e executivos
desempenham papel crucial ao inspirar, incluir e transformar empresas por meio de uma
agenda de boa governança que crie e preserve valor não apenas para o negócio, mas
também para todos os stakeholders e para a sociedade.
Cabe ao conselho zelar pelo equilíbrio entre desempenho, conformidade e perenidade, o
que inclui incorporar a inovação como elemento estratégico de longo prazo. Como
mencionamos, o topo do ranking corporativo global é um lugar de alta rotatividade: poucas
empresas conseguem se manter entre as mais valiosas por mais de uma década. Isso
mostra que, sem inovação e governança estratégica, até gigantes perdem relevância.
Definindo o tom e os limites da inovação
Se você não cria a sua própria disrupção, será vítima da disrupção do outro. Em entrevistas
e keynotes, Satya Nadella CEO da Microsoft enfatizou que “cada empresa precisa se tornar
uma empresa digital, caso contrário será deixada para trás”.
O conselho deve atuar como guardião do equilíbrio entre risco e retorno. O relatório da
McKinsey & Company (2023) sobre “Boards and Innovation” destaca que conselhos eficazes
estabelecem limites claros para experimentação e investimentos em inovação, ao mesmo
tempo em que incentivam a busca de novas oportunidades de crescimento.
Isso significa:
Cultura de aprendizado e agilidade
O conceito de “fail fast, learn fast”, amplamente discutido por instituições como a MIT,
quando aplicado de forma responsável, pode impulsionar a agilidade e a capacidade de
adaptação. Contudo, o conselho deve assegurar que esse princípio esteja acompanhado de
controles e processos de gestão de riscos que previnam falhas críticas.
Segundo o Harvard Business Review (2022), empresas que conseguem equilibrar disciplina
e ousadia em suas práticas de inovação alcançam resultados financeiros superiores e
aumentam sua resiliência frente à volatilidade do mercado.
Papel do comitê de pessoas e talentos
A inovação depende, em última instância, de pessoas. O conselho pode orientar o comitê
de pessoas para que a gestão de talentos atraia e retenha profissionais alinhados com essa
cultura. Isso inclui criar um ambiente que estimule a experimentação, a colaboração e a
assunção responsável de riscos.
Pesquisas do World Economic Forum (2024) apontam que a capacidade de inovação está
diretamente ligada à diversidade de perspectivas, o que reforça a necessidade de conselhos
e comitês promoverem inclusão, equidade e pluralidade em seus quadros.
Concluindo, o papel do conselho na promoção de uma cultura de inovação vai além de
aprovar investimentos: trata-se de estabelecer propósito, definir limites e incentivar uma
cultura organizacional que valorize aprendizado, diversidade e responsabilidade. Quando
inovação e governança caminham juntas, as organizações estão mais bem preparadas para
gerar valor sustentável para todos os stakeholders e para a sociedade.

Autora: Cintia Scafutto