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O que a GM nos ensina sobre liderança e integridade corporativa!

Publicado por Instituto MEO em 2 de dezembro de 2025

Ao assumir a General Motors, uma das suas primeiras ações de Mary Barras, não foi uma demissão em massa ou um corte de custos, mas algo simbolicamente poderoso.

Ela pegou o código de vestimenta da empresa (um documento burocrático de 10 páginas) e o substituiu por uma única frase:

“Vista-se adequadamente.”

Na prática, parece simples, mas isso demonstra o que ela diagnosticou, que uma empresa incapaz de confiar no bom senso de um engenheiro para escolher a própria calça jamais teria agilidade para sobreviver a uma crise global.

E a crise veio.

O colapso previsto ocorreu com o escândalo da ignição. Durante mais de uma década, a estrutura da GM ocultou um defeito no interruptor que desligava o motor e inibia os airbags em movimento.

Esse silêncio institucional custou vidas, arrastou a reputação da empresa para a lama e resultou em um acordo punitivo de US$ 900 milhões.

E a Mary herdou esse passivo moral e financeiro. Contudo, no meio do caos, a sua resposta foi usar a tragédia como alavanca para forçar uma nova política de transparência radical, instaurando uma dinâmica na qual a ocultação de erros se tornou a infração mais grave da companhia.

A limpeza ética pavimentou o caminho para a revolução operacional. Conforme detalhado nas análises da MDCplus, a transformação digital da GM operou como um mecanismo de sobrevivência e um controle de qualidade rigoroso:

1) Predição industrial:

A intuição de chão de fábrica deu lugar a sensores IoT e manutenção preditiva. O sistema agora antecipa falhas e interrompe processos antes que defeitos cheguem ao consumidor.

2) Ativo de dados:

A aposta na plataforma Ultium converteu o automóvel em um terminal de coleta de dados em tempo real. A GM evoluiu de vendedora de hardware para provedora de inteligência de mobilidade.

3) Visão como filtro:

A meta “zero acidentes, zero emissões” atua como uma barreira técnica intransponível. Projetos que não atendem a esses pilares são descartados, impedindo a negligência que gerou o recall histórico.

A trajetória de Mary Barra demonstra que a inovação tecnológica depende, antes de tudo, da integridade cultural.

Olhe para a sua operação hoje e pense qual é o “interruptor defeituoso” que sua equipe tolera há anos (aquele problema conhecido que todos ignoram) e que pode cobrar um preço impagável no futuro?

Identifique e corrija a falha sistêmica antes que o mercado o faça.

Autor: Jorge Querne – Apoiador do Instituto Mulheres em Operações – MEO

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