Quando participei da Masterclass com a professora Stephanie Creary no HBR Leadership
Summit 2025, “Reimagining DEI Work”, senti-me energizada pensando em como muitas
barreiras vivenciadas ao longo de minha carreira, participando ou patrocinando práticas de DEI,
poderiam ter sido superadas caso tivesse ouvido essa apresentação à época.
Algumas semanas após esse evento, como já relatei em um artigo anterior, participei do
lançamento da pesquisa Panorama Mulheres 2025, promovida pelo Grupo Talenses e pelo
Núcleo de Estudos de Gênero do Insper, onde os resultados apresentados mostraram que
apesar de avanços importantes, como o aumento da presença feminina nas diretorias,
observamos uma preocupante estagnação no topo, considerando as organizações pesquisadas
no Brasil.
Se a estagnação da presença feminina nas altas lideranças brasileiras, como apontado na
pesquisa Panorama Mulheres 2025, não permite muita comemoração, também não deveria
trazer desmotivação, considerando que as práticas de DEI podem ser ajustadas para um novo
modelo que visa responder às resistências apresentadas nas organizações e nas sociedades,
tanto quanto em algumas legislaturas.
A HBR em 23/05/2025 publicou um artigo da Professora Creary, juntamente com seus colegas
coautores – “To Make Your DEI Efforts More Effective, Challenge Outdated Models”, propondo
uma reestruturação estratégica das práticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI),
destacando que muitos modelos atuais são ineficazes, provocam resistência e não geram
resultados sustentáveis.
Em um momento em que os avanços de DEI nas organizações sofrem uma baixa por diversas
razões, não podemos deixar de reconhecer como as práticas de diversidade, equidade e
igualdade já trouxeram resultados positivos em inovação, novos mercados e melhoria de
performance, como já foi comprovado. Devemos persistir em buscar esses avanços, apenas
fazê-lo de uma nova maneira para que os aprendizados sejam introduzidos.
O que a Professora Stephanie Creary e seus coautores na HBR propõem é um questionamento a
modelos ultrapassados e um guia para os líderes das organizações adotarem uma nova prática
que seja mais alinhada com os desafios que já foram experenciados e que traga resultados mais
efetivos. Em vez de abandonar o DEI, os autores sugerem reformular suas bases com três
mudanças fundamentais:
A linguagem deve ser clara, concreta e vinculada aos objetivos estratégicos do negócio.
No artigo sobre a Pesquisa, reforço que diversidade não é pauta feminina — é pauta de
estratégia. É necessário deslocar a diversidade do campo simbólico para o estratégico, com
metas claras, mensuráveis e integradas à performance organizacional.
O papel da liderança e a urgência da intencionalidade
Na palestra, Creary afirma que os modelos antigos não são suficientes para sustentar mudanças
reais. É preciso reimaginar o papel da liderança frente à polarização e à resistência crescente ao
DEI. No Brasil, o funil da liderança continua se estreitando nas áreas que dão acesso ao poder —
sem intencionalidade e patrocínio ativo, nada muda.
Reimaginar o DEI passa por repensar sucessões, indicadores, e sobretudo, o compromisso
político e ético da alta liderança.
Conclusão
Os modelos atuais de DEI devem evoluir para se tornarem mais eficazes e sustentáveis. Isso
exige:
As organizações devem adaptar o DEI à sua estratégia e cultura, integrando-o como alavanca
para inovação, performance e pertencimento — e não como obrigação simbólica ou modismo
passageiro.
Creary propõe “reimaginar o DEI” com base na ciência e na experiência. E torná-lo parte da
governança e da estratégia é fundamental para se ter sucesso. Existe a urgência de transformar boas intenções em práticas sustentáveis e mensuráveis — com foco em pertencimento,
propósito e performance.
Autora: Cintia Scafutto de Menezes
